As duas primeiras áreas profissionais são exercidas como forma de manutenção das minhas despesas, já a PODOLOGIA é praticada naturalmente com o objetivo financeiro, todavia, é o que me mais me proporciona prazer em trabalhar na vida. Tudo começou quando, na Enfermagem, fui trabalhar em uma Clínica Psiquiátrica e de Dependência Química. É que ali pude observar que os pacientes, pela própria natureza dos seus problemas não cuidavam da sua higiene pessoal, e nós é que fazia-mos isto, inclusive, até mesmo dávamos banho. Foi então que percebi que as "UNHAS" de todos eles estavam horríveis, grandes e sujas. Assim sendo, resolvi assumir mais esta tarefa, a de cortar aquelas UNHAS, tanto das mãos quanto dos pés. Nessa ocasião nunca havia sob nossos cuidados menos que 130 pacientes. Eis que, num belo dia, mais uma vez cortando unhas fiquei surpreso ao descobrir que havia aprendido a gostar daquela tarefa. Logo depois assisti a uma reportagem na TV que falava sobre um sujeito que ficava na calçada cortando calos com uma gilete, se auto-intitulava "CALISTA" e ainda ganhava dinheiro fazendo isto. Descobri que aquilo que me dava prazer realizar, ou seja: cortando unhas e desbastando calos, poderia ser profissionalizado. De posse de um dicionário fui saber o que fazia o "calista", descobrindo a PODOLOGIA, a qual cursei com o maior prazer a cada aula. Atualmente sou Técnico em Podologia por opção, mas acima de tudo de CORAÇÃO!
Na época em que estava fazendo meu curso no Rio de Janeiro no IBRAP - Instituto Brasileiro de Podologia, eu tinha dois empregos, vindo a perder um deles no meio do curso. Nesse período, desprovido da renda total de outrora, passando por muitas dificuldades financeiras, não era mais possível quitar todas as despesas pertinentes ao curso, tais como mensalidades e passagens, uma vez que de Barra Mansa até o IBRAP são mais de 100km. Sem saber como resolveria aquela situação complexa, sentei-me em um dos bancos do "Jardim das Preguiças" uma linda praça aqui em Barra Mansa, refletindo e tentando encontrar uma solução. Quanta agonia!... Interessante é que, em outro banco, próximo de onde eu estava sentado, havia três simpáticas senhoras idosas conversando normalmente, o que me permitia ouvi-las. Eis que uma delas falou para as demais: "Está agora tão difícil nós medir-mos a pressão arterial! Temos que atravessar a ponte, e ficou muito longe."
Este diálogo foi, naquele momento, a idéia salvadora. Era a resposta que eu tanto buscava! Pensei comigo: quem sabe isto dá certo!

Fiz um requerimento junto à Prefeitura e eles permitiram que eu aferisse a pressão na antiga Estação Ferroviária, estação esta que fora inaugurada pela Princesa Izabel.
Este é um trabalho voluntário e GRATUITO, o sucesso foi e continua sendo imenso. Logo os usuários do serviço começaram a doar voluntariamente uma gorjeta simbólica, a qual tanto ajudou o Técnico de Enfermagem a se tornar mais um Podólogo. Hoje este trabalho de aferição de pressão no local acima citado, tornou-se de Utilidade Pública. Eu e meus filhos, que também são Técnicos de Enfermagem, já aferimos em três anos de atividades mais de 130.000 pressões arteriais! A Clínica Lavapés além de cuidar dos pés Barramansenses, cuida também, com muito carinho, do coração deste povo hospitaleiro e bom. Seja você do Brasil ou de qualquer parte do mundo venha nos conhecer, porque aqui nós cuidamos de você, do coração até os pés!
Um amigo e Podólogo
OCTACÍLIO DA SILVA |